Já não se aguentam as “imagens IA”

Imagens IA | Nos últimos tempos, fomos invadidos por uma enxurrada de imagens geradas por inteligência artificial (IA). Do Instagram ao LinkedIn, imaginem que até campanhas publicitárias e capas de revistas, a estética das imagens sintéticas tornou-se tão omnipresente que começa a provocar um efeito paradoxal: em vez de impressionar, já cansa.

No início, a capacidade da IA de criar ilustrações hiper-realistas ou conceitos visuais surreais parecia revolucionária. A promessa era sedutora – um universo onde qualquer pessoa, sem formação em design, poderia gerar imagens impactantes com um simples prompt. Mas como acontece com todas as modas tecnológicas, rapidamente passámos do deslumbre ao enfado.

A Ilusão do Brilho Perfeito

O problema principal? A previsibilidade. As imagens geradas por IA têm um brilho artificial, uma simetria forçada e uma estética excessivamente polida, que parecem feitas para encantar o algoritmo e não para surpreender o olhar humano. As imperfeições que tornam o design gráfico e a fotografia autênticos foram substituídas por um padrão de beleza estéril, quase plástico.

As campanhas de marketing, sempre ávidas por tendências, também caíram nesta armadilha. Marcas que se querem diferenciar acabam por parecer todas iguais ao recorrerem às mesmas ferramentas de geração automática de imagens. O resultado é um mar de visuais indistinguíveis, onde tudo parece bonito, mas nada tem alma.

O Fim da Criatividade?

Outro ponto crítico é a erosão do trabalho dos artistas humanos. A ideia de que a IA pode substituir ilustradores, fotógrafos e designers levanta questões sérias sobre o valor da criatividade. Se tudo pode ser gerado em segundos, que incentivo existe para a experimentação artística? A originalidade, esse ingrediente essencial da comunicação, corre o risco de ser engolida pela facilidade do copy-paste digital.

Pior ainda, muitos conteúdos gerados por IA sofrem de um vazio conceptual. Criam-se imagens “bonitas” mas desprovidas de contexto, cultura ou intencionalidade. A arte e o design sempre foram formas de contar histórias e provocar emoções – algo que a IA, por mais avançada que seja, ainda não domina.

O Futuro (e a Resistência)

É claro que a inteligência artificial tem o seu lugar no mundo visual. Quando usada com propósito e não apenas como um atalho para evitar trabalho criativo, pode ser uma ferramenta poderosa. O desafio está em equilibrar a inovação tecnológica com a essência humana da criação artística.

A tendência natural das revoluções tecnológicas é o exagero inicial seguido de uma correção de percurso. Talvez estejamos a entrar nessa fase, onde o hype das imagens IA começa a dar lugar a uma valorização renovada do toque humano.

No final, a pergunta que fica é simples: queremos um futuro onde todas as imagens pareçam saídas do mesmo molde digital, ou um mundo onde a arte e o design continuem a surpreender? Porque, sejamos honestos, já não se aguentam as imagens IA.

 

LEIA MAIS ARTIGOS | XANA PEREIRA

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